Terça-feira, Novembro 24, 2009

maturações

eu desenho a minha vida sem saber que o meu desenhar é parte participante do infinito movimento que é a mandala chamada vida, a mandala das mandalas. como sou vida, também sou mandala de mandalas.
mergulho em meus lagos e me descubro oceano e rio, mato a sede nas profundezas de minhas águas misteriosas.
descubro meus mitos e descubro os mitos do mundo. todos os mitos, meus e do mundo são irmãos mais velhos ou mais novos, todos filhos da busca psíquica do significado da vida.
a conciência é a vida buscando seu significado.
o significado da vida percorre pela des-integração da consciência no eterno abraçar a árvore dos segredos eternos que se esconde por entre os jardins e bosques secretos de nossos caminhos obscuros.

Domingo, Novembro 15, 2009

do meu tempo

viver em imanência
viver na imanência
sem esperar por momentos ou decisões.
sem passividade ou escravidões.

é preciso inventar o tempo que inventa a humanidade.
é urgente que se invente para si a humanidade
livre de esperas e tutelas
só cuidado de si escorrendo pelas frestas das emoções na carne viva.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

o caderno, o corpo, a vida, a morte

o caderno acaba pelas folhas semeadas de linhas, desenhos, rabiscos, mistérios de mim. O meu corpo se consome pelo oxigênio incendiando cada vibração por entre mim, até o último suspiro. A vida é o eterno mistério que nunca termina de se revelar, porque cada revelação é uma invenção de novidades misteriosas. A morte é insuficiência das dimensões limitadas e limitantes de entendimento da realidade. É que na morte a vida se desenrola ao contrário, o devir voltando sobre si mesmo e vazando para o mistério, dando a ilusão de que se foi. O devir é eterno e é ele que me faz aprofundar o olhar diante de instantes de profundo encontro com a divindade que sou. Sou amálgama de vontade e vida.

Domingo, Novembro 01, 2009

viver é algo entre a luz e o eco

quanto mais e diferentes processos se vive
mais diferentemente se vive os processos.

as profundidades da gente se dilatam quando se mergulha no mundo.
é possível ver o fundo das coisas, das pessoas e de si mesmo
no instante presente de viver.

é tão bonito como isso tudo tem a ver com o verbo amar.
é tão bonito como tudo tem a ver com o verbo amar.

dentro das matas na intensidade da tarde
o sol tece fios de luz por entre as folhagens
a lua continua linda por trás das nuvens pesadas da chuva

viver é algo entre a luz e o eco.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

segredos de areia

entre uma chuva e outra num dia nublado
eu cheguei na areia da praia um pouco antes da noite
a luz que fazia era de uma cor de sonhos, sabe?
eu mesmo me perguntei se estava mesmo acordado.

havia pessoas jogando bola ao longe
as luzes dos barcos de pesca
senti meus vestígios de vida em alto mar
senti meus vestígios de vida pra viver

começou a choviscar e as pessoas partiram
só eu fiquei
só eu, o mar e a chuva.
era assim que era para ser.

escrevi na areia que escrever é preciso
mesmo escrever na areia
e pensei que muitas vezes a gente escreve para apagar depois
quando se escreve na areia sabe-se que se apagará depois.

é assim que se deve viver a vida
num constante escrever sem fim
mesmo em caminhos onde não cabem as palavras.

no fundo no fundo a gente sabe que as palavras não cabem.
por isso compartilhamos tentativas
para nos ajudarmos a viver.

marie

vou fazer aquela curva que eu falei que é a curva de minha vida
você sabe que vou te levar comigo aqui no calorzinho que vem do peito?

dos encontros que tive com seus encantos
de sua maneira decidida de viver e olhar o mar
de sua coragem de amar com olhos de menina
do sorriso sincero e do silêncio impenetrável.

vou te levar pra sempre comigo, menina.
no coração novas porções de carinho e amor.
você sabe que me ensinou a amar da maneira que eu precisava aprender?

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Noúres


O amor é além da vida
A própria vida é o além
Além do próprio além.

Tudo o que é feito de vida ama
de uma maneira ou de outra
Todos somos feitos de vida
de uma maneira ou de outra.

É preciso aprender a amar
É preciso aprender a viver
Viver é amar.

É preciso estar vivo para compreender isso
É preciso amar para sentir isso.

A compreensão está para o sentir assim como o viver para o amar.

Quem ama compreende
Quem vive sente
E vice e versa.

É preciso fazer dos hábitos uma pintura viva dessas coisas
para que as lembranças venham.
Essas coisas que escrevo são milenares lembranças.

É preciso lembrar que se vive
Amar é viver.

psicanálise esotérica


A alma é imortal porque a vida é imortal.
Invenção é imortalidade do presente e a morte é a ilusão do instante que passa.

A distância entre dois olhares é infinita porque eterno é o mistério do olhar, porque o olho é ponto de fuga da divina criação.

Divindade é o pulsar que movimenta tudo que palpita. Tudo palpita. A vida é a parte feminina de Deus, o espírito a parte masculina. O cosmos é a união, o amor, o filho, a sensação da trindade de tudo que existe.

No instante eterno de tudo o que há, todas as existências são eternas, pois tudo é feito de eternidade. Tudo é transformação, "tudo flui", tudo é eternidade.

Eu sou eternidade. Separando de minha atenção as ilusões que a ilusão da morte cria consigo me lembrar disso, que o corpo é posterior ao Eu, pois se a carne transformava-se outrora numa curiosa manifestação viva é porque o espírito naquele instante vivificava-a, reinventando, de encarnação em encarnação, o ciclo trinitário da vida e do espírito no cosmos.

Ilusão da morte é a que movimenta a roda de samsara, tudo que é ilusão é feito de morte e a morte não passa de uma palavra, uma ilusão primeira e mãe de todas, um logos primordial que pesa o espírito na matéria. Logos reconfigurado em Isis, Perséfone, Eva e em todos os mitos de queda.

A psicanálise esotérica revela essa luz no crepúsculo do espírito cósmico que se aprisiona no Eu para poder locomover-se no mundo das significações, mundo do sujeito. Castração e Édipo são arquétipos do mergulho do ser na humanidade, os pavores e dores que vêm compõem a pele da personalidade e os objetos e afetos desses complexos psíquicos são ecos desse mergulho em samsara.

Vida, espírito e cosmos. É preciso sentir e compreender essa trindade como tudo do que somos feito. Somos ecos de infinitudes que explodem prismas de infinitas manifestações. É preciso sentir e compreender que é disso tudo que é feita aquela saudade que buscamos o tempo todo e chamamos de verdade.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

pensamentos que não vãos

o lápis acaba da mesma maneira que o sol se põe e o dia nasce
da mesma maneira que surge o primeiro cabelo branco
que termina o último suspiro.

tudo que é irreversível não tem pressa de acontecer
é como o dia que nasce
a lua crescente
o sol poente
o lápis findando
eu re-nascendo
o mundo acontecendo.

em meio às coisas do tempo
o tempo se demora só para que haja tempo de a gente forjar memórias.